Há pessoas que chegam às entrevistas e que recebem 700 euros de rendimento mínimo. Não lhes compensa trabalhar e preferem ficar em casa. Os salários médios nesta área da apdaria estão fixados entre 500 e 600 euros. Mas o rol de acusações em relação ao RSI continua. 'Há muitas pessoas que auferem esses subsídios e que vêm às padarias só para que assinemos os papéis e assim demonstrarem que estão à procura de emprego', contou Carlos Alberto dos Santos. O presidente da ACIP, que também é proprietário de dois estabelecimentos em Arganil e Santa Comba Dão, revelou que ainda tentou combater esta situação. 'Não concordo com isso. Mas a verdade é que se nós não assinarmos os papéis estamos a perder clientela. Em meios mais pequenos isso acontece muito.' Outro problema para o líder desta associação é a dificuldade em manter a mesma equipa durante três meses. 'Temos dificuldade em perceber o que poderá motivar as pessoas para trabalharem', disse.
Há uns anos, na cadeia de Paços de Ferreira, dizia-me o "capo" da máfia calabresa Emílio di Giovinni, condenado em Portugal a 16 anos de prisão e extraditado depois para Itália, onde apareceu morto na cela: "Portugal é um paraíso!". Referia-se, não à doçura do clima, mas à das leis penais e processuais penais que, manietando os tribunais, fazem hoje de Portugal, do mesmo modo que alguns países são destinos de turismo sexual, destino privilegiado de turismo criminal. Ora porque não haveriam os criminosos e corruptos nacionais de usufruir também de tão aprazível e condescendente clima penal? O que se vai sabendo da recente operação "Face Oculta" dá uma ideia da quantidade de gente fina (empresários, políticos, gestores públicos…) que tem enriquecido à sombra da estranha (?) inacção de governos e AR no combate à corrupção. Todos os dias se conhecem novos braços do polvo: REN, REFER, CP, EDP, GALP, Estradas de Portugal, Carris, CTT, IDD, EMEF, Portos de Setúbal, Estaleiros de Viana, Lisnave, Portucel, autarquias… O país tresanda de alto a baixo; o problema é que uma barrela não interessa a ninguém.
Será que pró Sr Pina não seria melhor ir viver para a Correia do Norte? Talvez lá o cheiro seja menos fétido...